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Temer critica ocupações contra a PEC do teto de gastos

Presidente estima PIB positivo e volta do emprego no segundo semestre de 2017

POR EDUARDO BARRETTO

O GLOBO
Michel Temer em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o jornal “Valor Econômico” - Jorge William / Agência O Globo

BRASÍLIA - Pela primeira vez, o presidente Michel Temer criticou as ocupações contra seu governo, especialmente em oposição à proposta de emenda à Constituição (PEC) que limita o crescimento dos gastos públicos e à Medida Provisória da reforma do Ensino Médio. No seminário "Infraestrutura e desenvolvimento do Brasil", do jornal “Valor Econômico”, nesta terça-feira, Temer disse esperar para o segundo semestre do ano que vem um PIB positivo e a retomada do emprego.

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— Hoje, ao invés do argumento moral, intelectual, verbal, usa-se o argumento físico. Vai e ocupa não sei o quê, bota pneu velho, queima, para o trânsito — disse Temer, ironizando o desconhecimento de pessoas em ocupações sobre a PEC do teto.
Logo depois, contemporizou, afirmando que se referia à população em geral.
— Você sabe o que é uma PEC? "A PEC é a proposta de ensino comercial." As pessoas não leem o texto. Não estou dizendo os que ocupam ou não ocupam. Mas em geral.
Nos últimos dias, mais de mil escolas em todo o país ainda estavam ocupadas, como resistência à PEC do teto de gastos e à reforma do Ensino Médio via medida provisória. O Exame do Ensino Médio (Enem) precisou ser remarcado para 240 mil alunos, que fariam a prova em locais ocupados.
Michel Temer disse esperar que, no segundo semestre de 2017, o país terá PIB positivo e retomada no emprego. O presidente voltou a defender a reforma da Previdência, que chamou de "quase uma consequência" da PEC do teto de gastos, aprovada pela Câmara e agora no Senado. O governo espera que o teto para os próximos 20 anos receba aval dos senadores ainda este ano. A reforma da Previdência deve ser enviada em seguida.
— Vamos mandar também a reforma da Previdência. Temos que pôr o dedo nessa ferida. Este ano teremos quase R$ 150 bilhões de déficit da Previdência Social. Os estados estão praticamente quebrados - declarou Temer, completando:
— Ela (reforma previdenciária) é quase uma consequência do teto. Aprovado o teto de gastos, é fundamental que se faça uma reforma previdenciária no país. E ninguém está perseguindo aposentado. O que nós queremos é revelar que, se não tomarmos cuidado, em 2024 teremos dívida pública equivalente a 100% do PIB.
Temer pediu tempo para melhorias mais concretas nos indicadores econômicos, mas citou várias empresas, estatais e privadas, que tiveram valorização no mercado de ações desde que ele assumiu interinamente o Planalto, há seis meses.
— Muitas vezes as pessoas querem que o governo assuma e dois meses depois o céu esteja azul. Isso leva tempo.