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Petistas criticam Temer por tentar roubar paternidade da transposição do São Francisco

Para deputados do PT, presidente tenta se apropriar de feito dos governos anteriores

POR O GLOBOPresidente Michel Temer durante a abertura da comporta do Reservatório de Campos - Beto Barata / Agência O Globo

BRASÍLIA — Parlamentares do PT no Nordeste criticaram a visita do presidente Michel Temer às obras de transposição do Rio São Francisco, em Campina Grande (PB). Para o líder da Minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o presidente tenta se apropriar politicamente de um feito que seria dos governos anteriores.


– Não adianta eles quererem incluir o nome deles no DNA do projeto de transposição do São Francisco. O povo do Nordeste sabe que os governo do PT foram os melhores governos para o Nordeste. A transposição do São Francisco é a marca da competência e do olhar diferenciado que Lula teve para com o Nordeste brasileiro. Temer não conhece o Nordeste, não sabe nem onde fica o Nordeste. O Temer deveria ter compromisso de finalizar o eixo Norte, que está parado há 9 meses. Ele só está inaugurando o eixo Leste, que já estava quase pronto – disse Guimarães.

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O deputado Afonso Florence (PT-BA) se disse “perplexo” com a declaração de Temer de que as obras não têm paternidade, já que o verdadeiro responsável seria o povo brasileiro.


— Estamos perplexos com essa declaração. Isso é uma tentativa de manipulação, de ludibriar a opinião pública. Uma obra tão robusta como essa não se conclui em meses. Não reconhecer a influência de Dilma e Lula é uma tentativa de ludibriar a opinião pública e o povo nordestino sabe disso.


O governo de Temer só tem agenda negativa, aí tenta transformar em agenda positiva as obras da antecessora dele. O Temer era tido como uma pessoa experiente e agora ele está se notabilizando por falar besteira, como foi essa semana no Dia da Mulher. Vamos durante a semana conversar e tentar tomar providências. Se as instituições estivessem funcionando normalmente, ele seria chamada pela Comissão de Ética da Presidência da República – afirmou.

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Para o deputado Robinson Almeida (PT-BA), a ação de Temer seria uma forma de se apropriar de obras alheias, diante da ausência de resultados em seu governo.


— Por falta de obras e serviços para apresentar ao povo, nesse quase um ano de mandato, eles ficam se apropriando de obras alheias. Dizer que a obra é do povo nordestino é um reconhecimento natural de qualquer governo republicano. Agora, se apropriar de algo que ele não concebeu é um absurdo – afirmou Almeida.


O deputado Luiz Couto (PT-PB) disse que o presidente tenta fazer “festa com chapéu alheio” e diz que, se Dima Rousseff não tivesse sofrido impeachment no ano passado, a obra já teria sido entregue.


— Muita gente que era contra e desdenhou, agora está querendo reivindicar. Tem uma expressão do povo nordestino que diz “não faça festa com chapéu alheio”. É isso que esse governo está querendo fazer. O dono do projeto é o povo nordestino, mas foi o Lula que começou a trabalhar para isso. E se a presidente Dilma não tivesse sido afastada, essa obra já teria sido entregue, conforme ela prometeu, no final de 2016 —defendeu o petista.


Depois de dizer que a transposição do São Francisco não tem pai algum, pois é do povo, em evento em Campina Grande, o presidente Michel Temer se viu obrigado a dizer que a obra foi executada nos últimos governos, sem citar nominalmente seus antecessores Lula e Dilma Rousseff. Do lado de fora da estrutura cercada para a cerimônia, um pequeno grupo de cerca de 50 manifestantes causou incômodo, ofuscando a festa que o governo tinha preparado para comemorar a inauguração do Eixo Leste da Transposição.

Esta é uma obra pensada desde o tempo do Império e executada nos últimos governos. Por isso, eles (os que o antecederam discursando na cerimônia), com a delicadeza e civilidade disseram: quem terminou a obra foi o Temer, mas isso passou por vários governos. Vários governos que merecem o aplauso de todos — disse Temer, complementando em seguida:


— Esta obra, se pudermos falar em paternidade dela, devemos dizer que a paternidade é do povo brasileiro. Não pensem que tem um dinheiro público e outro que vem dos impostos. O dinheiro vem dos impostos. Esta era uma dívida que o governo tem com o povo, e que agora está pagando.


Temer realinhou seu discurso após ver o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), lembrar de Lula, Dilma e o ex-ministro da Integração de Lula, Ciro Gomes. Durante a cerimônia, o vice-líder do governo, senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), também fez referência aos governos petistas.