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Antônio Melo: E se...

Por Antônio Melo
Jornalista

…um grupo de quatro sem terra entrasse numa fazenda, matasse nove proprietários rurais com tiros e facadas -dentre eles uma criança e uma mulher- com requintes de crueldade, amarrando-os, decapitando alguns e deixando o aviso sinistro que se não abandonassem o lugar voltariam para terminar o serviço, o que você acha que aconteceria?
Pois, foi exatamente o que ocorreu em Mato Grosso, só que os protagonistas eram fazendeiros e as vítimas, os sem terra. Os senhores donos de gado e gente, mandaram seus jagunços fazer o serviço no meio da floresta, numa terra que dizem ser deles, praticamente sem acessos, benfeitorias ou cercas. Como adquiriram? De quem compraram? Ninguém sabe. O ministério público ou a polícia federal estão investigando? Ninguém sabe, também. Se os papéis fossem inversos, com certeza estariam. Até o presidente da república teria dado uma nota se solidarizando e mandado o seu ministro da justiça para o lugar.


Mas aos sem terra sobreviventes, coitados, nem o direito de sepultar seus mortos restou. O medo fez com que abandonassem o lugar deixando os cadáveres para trás e a injustiça contra os mais pobres como mais uma medalha dos poderosos inimputáveis.

...E se a indignação contra a igreja por ter apoiado a greve geral voltasse aos tempos de Dom Geraldo Sigaud, bispo de Diamantina, que nos anos de chumbo, foi um dos fundadores da Sociedade em Defesa da Tradição, Família e Propriedade, a famosa TFP, entidade de ultradireita que promovia atos e manifestações por todo o Brasil contra a reforma agrária e os padres ditos comunistas. Dom Sigaud fazia questão de abençoar as armas e cachorros da tropa da polícia que saia para reprimir os atos, estes sim, proibidos, de estudantes, trabalhadores e padres contra a ditadura que matava e torturava opositores.

...E se déssemos uma olhada no que diz a reforma trabalhista -contestada pelos trabalhadores, pela igreja, por vários setores da sociedade, mas amplamente apoiada pelas entidades empresariais- e soubéssemos que as mudanças impõem a prevalência de acordos entre patrões e empregados sobre a lei, o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, obstáculos ao ajuizamento de ações trabalhistas, limites a decisões do Tribunal Superior do Trabalho, possibilidade de parcelamento de férias em três períodos e flexibilização de contratos de trabalho... não caberia a pergunta: o que o trabalhador ganha com isso?

...E se nosso olhar for mais cuidadoso sobre o que dizia o relatório do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), veríamos lá a proposta de reduzir pela metade o pagamento do aviso prévio e a indenização do FGTS caso o contrato de trabalho venha a ser extinto em comum acordo entre patrão e empregado. É proposta dele também que as indenizações por dano moral sejam proporcionais ao último salario do empregado. Ou seja, desconsidere-se o tempo de serviço na empresa. Trabalhou aqui 20 anos, teve um dano moral a ser reparado, só se levará em conta o último salario. Assombroso.

...E se você tiver netflix e quiser conhecer o outro lado desta lei que acaba de ser aprovada, não deixe de assistir o documentário The True Cost. É um retrato dessa modernização das relações de trabalho.

...E se o trabalhador, a igreja, uma grande parte da sociedade não achar isso tudo justo, pode fazer greve?


Pode?