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Antônio Melo: Controle Social da Mídia Ou nós, os cabeças feitas

Por Antônio Melo
Jornalista

Controle Social da Mídia. Este tema caiu no index dos malditos dos próprios veículos de imprensa, por imposição de seus donos, como Controle da Mídia, por assim se tornar mais ameaçador, coisa do PT, de comunista.
O tema –apesar de algumas tentativas- nunca foi discutido com seriedade. A rotulagem foi suficiente para joga-lo na prateleira dos malditos onde devem ficar junto com os que "ameaçam a sociedade e a democracia".


Para que se converse a sério sobre o tema, é preciso partir de uma premissa que, acredito, ninguém contesta que é o controle familiar ou político da mídia.
Creio incontestável que os grande instrumentos de comunicação do país são controlados por poucas famílias, com especial destaque para os Marinho (Globo), Frias (Folha), Mesquita (Estadão), Civita (Editora Abril). Esqueçamos, por estar no segundo time, IstoÉ, Carta Capital, Rede Record, Bandeirantes, SBT e assemelhados que, sem dúvidas, por si sós, já são um canhão.


Fiquemos com a seleção principal e imaginemos que a rede Globo, da família Marinho, além de suas dezenas de afiliadas e emissoras próprias, atingindo assim milhões e milhões de telespectadores, ainda publica jornais –dentre eles O Globo- a revista Época e outras de fofoca, participa de publicações jornalísticas em conjunto com o grupo Folhas e Estado, além do portal G1, da Globo News e outros canais por assinatura.


O império da família Civita não fica atrás. A Veja, talvez a mais importante, é apenas uma das suas mais de 60 revistas, excluídas as infantis. Mas o portfólio da empresa tem (ou teve) tudo quanto é tipo de publicação. Dos valores, hábitos e costumes americanos difundidos para nossas crianças pelo Pato Donald, Mickey e Pateta até as tentadoras garotas da VIP, passando por Exame, Viagem e Turismo, Placar, Quatro Rodas, Capricho, Cláudia, etc e muitos eteceteras e milhões de leitores mais.

As famílias Frias e Mesquitas, apesar de não tão férteis na geração de filhotes, expandiu o número de leitores agora derrubado pela concorrência das mídias sociais.
Aliás, todas essas mesmas famílias também estenderam suas garras em forma dos portais mais acessados da internet, principalmente UOL (grupo Folhas) e G1 (Globo).


Agora, raciocine o dano ou benefício que podem fazer as milhares e milhares de emissoras de rádio (só no Maranhão há mais de duas mil), blogs, jornais e sites, espalhados pelo Brasil inteiro reproduzindo e compartilhando diariamente, várias vezes, notícias, comentários, colunas e editoriais destes mesmos grupos.


Essa sempre foi uma arma poderosa usada por governos de esquerda ou direita. Nos tempos da guerra fria, aqueles em que comunistas comiam criancinhas, as notícias no mundo ocidental eram produzidas, predominantemente, pela UPI (United Press) e AP (Associated Press), americanas, pelas quais valores, mitos e ódios deles, também passaram a ser os nossos.


Graças a isso, Roberto Campos, brilhante economista, pensador da direita e ministro de Castelo Branco, pôde cunhar a seguinte frase lapidar: o que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil. E o brasileiro, anestesiado, acreditou. Nossos meios de comunicação estavam ocupados por eles, pelo pensamento deles, pelos heróis deles.

Através da UPI e da Ap, os americanos, todos os dias estavam ganhando a guerra do Vietnam. Derrotando os malditos comunistas. Tal não foi a surpresa quando a tv –e lá, ainda hoje, a imprensa tem mais independência que aqui- mostrou a embaixada dos Estados Unidos sendo tomada por um bando de baixinhos, meio esmolambados, enquanto um helicóptero resgatava americanos em fuga, apavorados. Uma cobertura primorosa, com imagens ao vivo. Da France Press. Francesa, claro.
O Brasil está no meio de uma crise descomunal. Mas a censura está instalada. Não, não é do governo. Só se divulga aquilo que os barões da imprensa querem, permitem ou serve aos interesses deles. A liberdade de imprensa continua sendo liberdade de empresa. E não deve e nem pode continuar assim.
Ficar contra o Controle Social da Mídia, é ser a favor da perpetuação do controle Familiar e político dos Meios de Comunicação, como é hoje. Infelizmente, neste debate não há meio termo.