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Antônio Melo: Estranhas coincidências

Por Antônio Melo
Jornalista

1 – Um deputado, mas, à época dos fatos, assessor com gabinete próximo ao do presidente, é indicado pelo mandatário máximo do país como interlocutor de um investigado. Logo é flagrado, filmado e fotografado correndo no meio da rua puxando uma mala de dinheiro. Segundo o Ministério Público, parte de uma propina para o presidente. Na versão do Chefe da Nação, é uma ilação irresponsável do Ministério Público;

2 – Um procurador federal, umbilicalmente ligado ao procurador geral, integrante da turma que apura as estripulias investigadas na lava jato e o caso Joesley Baptista, desliga-se do MP e passa a prestar serviços ao escritório de advocacia que trata da delação premiada do próprio Joesley e de seus executivos. A delação, depois da incorporação do ex-procurador, é aceita com favores que chocam até juízes do STF. O presidente diz que o ex-colega e ainda amigo de Janot ganhou milhões e, pelo mesmo raciocínio usado contra ele, não seria demais supor que Janot fosse sócio nos honorários do amigo. É a ilação presidencial;

3 – O ex-ministro Antônio Palocci, agora um condenado, se ofereceu para delação premiada. A promessa era entregar instituições financeiras, banqueiros e até um poderoso gigante da mídia. Tudo com documentos, agendas, contratos, datas, locais. Se ofereceu ao próprio juiz perante o Brasil inteiro, ao vivo e a cores;

4 –Esta semana, uma nota causou estranheza na coluna de Mônica Bérgamo, na Folha de S. Paulo: "A força tarefa da operação lava jato está apreensiva com o impacto da delação de Antônio Palocci, no sistema financeiro do país. Estuda uma forma de, ao contrário do que aconteceu com as empreiteiras, preservar as instituições e os empregos que geram". Preocupação não notada quando das delações das empreiteiras que empregam muito mais trabalhadores, é bom que se diga;

5 – A estranheza ficou maior ainda quando Sérgio Moro, ao condenar Palocci, afirmou que o ex-ministro, ao dizer que "tinha muito a contribuir", para ele, Moro, aquelas palavras "soaram mais como uma ameaça" do que "propriamente como uma declaração sincera de que pretendia naquele momento colaborar com a justiça". No mínimo estranha interpretação;

6 – No interrogatório do ex-presidente Lula, o mesmo juiz o inquiriu a respeito de um documento sem assinatura. Um documento que ele aceitou como base para uma das perguntas –feitas pelo próprio Moro- mas de autoria do Ministério Público. O documento está anexado ao processo como prova/evidência de que o ex-presidente é dono de um tríplex fruto de propina;

7 – O mesmo juiz, em 25 de maio, inocentou Cláudia Cruz, esposa do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Considerou não haver provas, mesmo existindo nos autos cópia do cartão de assinatura (Signature Card) assinado pela própria, com foto, número da conta (Account number) declaração do Merril Lynch Bank (Suisse) de depósitos superiores a 1 milhão de dólares;

8 – Em uma das muitas conversas gravadas do senador Aécio Neves, ele defendia que o ministro da justiça deveria controlar melhor a Polícia Federal, nomeando um diretor que colocasse delegados amigos para cuidar dos processos do pessoal mais chegado. Isso evitaria problemas. Como os atuais, certamente.

9 – No Supremo está havendo uma redistribuição dos processos referentes às delações da Odebrecht. Um que investiga Aécio, terá por relator o ministro Alexandre Morais, filiado ao PSDB até 2017. Morais também foi secretário de Geraldo Alckmin (PSDB) em dois governos e do prefeito Gilberto Kassab. Saiu do governo paulista para ser ministro da Justiça de Temer e, daí, para o STF;

10 – Gilmar Mendes ficou com a relatoria de um processo contra o ministro das Relações Exteriores, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e o também senador tucano José Serra. O ministro do STF é pessoa próxima dos psdbistas, tendo, almoçado diversas vezes, este ano, com Serra. Pelo menos em duas, foi fotografado: em Brasília (na companhia do ex-presidente do BC, Armínio Fraga) e em Lisboa (na companhia de Aécio e Temer). Em todas, com Serra;

11 – Terça feira, 27, Gilmar recebeu em casa, para jantar, o presidente Temer e os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha.
Na mesa, três investigados pela Procuradoria da República e o anfitrião que anda em guerra aberta com Rodrigo Janot, chefe dos procuradores. Um dos assuntos, a sucessão do incômodo procurador. Preferência de Temer e seus ministros investigados: Raquel Dodge, do inteiro agrado do ministro de Gilmar.

12 – Quarta feira, 28, o porta-voz do governo anuncia o nome do novo procurador geral da república, a ser indicado pelo presidente ao senado: Raquel Dodge. Pela primeira vez, desde 2003, não se trata do primeiro nome da lista tríplice escolhida pelos procuradores através de voto direto.

13 – No cafezinho da Câmara fala-se na possibilidade de alteração da lei das comunicações permitindo estrangeiros
adquirir o controle de redes de comunicação, inclusive de tv.
Dizem que o magnata das comunicações, o mexicano Carlos Slim, um dos cinco homens mais ricos do mundo, vem acompanhando o assunto com interesse muito especial;

14 – A rede Globo, depois de usar, com sucesso, todo o seu poderio em favor do impeachment de Dilma, agora, em nome dos seus interesses, mira em Temer;

15 – Já o Estadão, notório porta-voz da avenida Paulista que hoje o controla, saiu em defesa do presidente. Em editorial, disse que o Supremo deveria jogar a denúncia do ministério público no lixo. Faz coro com o que defende boa parte do empresariado.

Coincidências, meras coincidências.