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Forças políticas do Maranhão se voltam para Brasília em articulações contra e a favor do presidente Michel Temer


Ribamar Corrêa

De Hildo Rocha a Jr. Marreca estão com Michel Temer.
De Eliziane gama a Waldir Maranhão vão votar contra
São poucas as manifestações públicas, parecendo que a vida segue normal, mas a verdade é que a classe política do Maranhão, como a de todo o País, começa a semana com as suas atenções voltadas para Brasília, onde a Câmara Federal decidirá, provavelmente na quarta-feira, o futuro do presidente Michel Temer (PMDB). As duas forças políticas que se batem no estado têm posições claras e definidas em relação à situação do presidente da República. A banda esquerdista do movimento liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), que reúne o seu partido mais PT, PDT e parte do PSB, tem posição política firmada a favor de que os deputados federais aprovem o pedido para que o chefe da Nação seja investigado e, para isso, seja afastado do cargo por até 180 dias. O Grupo Sarney, que reúne PMDB, PV e outros partidos menores, está posicionado a favor do presidente, mobilizando todos os votos que puder para que ele que ele não seja guilhotinado. Há outros extratos políticos “soltos”, como a “terceira via” do senador Roberto Rocha (PSB), que estão muito mais alinhados a Michel Temer do que contra. Nesse contexto, a maioria dos 18 votos maranhenses na Câmara Federal está a favor do Palácio do Planalto.

O governador Flávio Dino defende a autorização para que o presidente da República seja investigado, mas o faz por coerência política, sustentando uma posição que o seu partido e aliados, principalmente o PT, defendem. A rigor, o governador é mais favorável à tese da realização de eleições diretas agora, provavelmente pela perspectiva de que o ex-presidente Lula da Silva (PT) venceria o pleito e retomaria o programa de Governo focado na distribuição de renda. O governador não esconde a sua posição política, mas se movimenta de maneira equilibrada, cuidadosa, respeitando as regras da convivência institucional. Para ele, independente do fato de ter chegado ao Palácio do Planalto na esteira do que chama de “golpe” para depor a presidente Dilma Rousseff (PT), Michel Temer é o presidente do País, e como tal deve ser tratado até que a Câmara Federal e a Justiça decidam o seu futuro. Seus comandados e aliados os deputados – Rubens Jr. (PCdoB), Zé Carlos (PT), Waldir Maranhão (PP), Eliziane Gama (PPS), Deoclídes Macedo (PDT) e Weverton Rocha (PDT) – estão posicionados e votarão contra o presidente, mesmo que o quadro do momento lhe seja claramente favorável.

O Grupo Sarney, ao contrário, está movendo montanhas para salvar Michel Temer. Tanto o ex-presidente José Sarney (PMDB) quanto a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), mais os senadores pemedebistas João Alberto e Edison Lobão estão fortemente alinhados aos esforços do Palácio do Planalto para barrar a denúncia na Câmara Federal. E nesse contexto, garante cinco votos da bancada para o presidente, a começar pelo ministro do Meio Ambiente Sarney Filho (PV), que será exonerado hoje para engrossar as fileiras da tropa de choque presidencial. Além de Sarney Filho, integram esse grupo os deputados Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo (PMDB), Cléber Verde (PRP) e Aluísio Mendes (PTN) e Alberto Filho (PMDB).

Os deputados Pedro Fernandes (PTB), André Fufuca (DEM), Jr. Marreca (PEN), José Reinaldo Tavares (PSB) e Juscelino Rezende (DEM) votarão a favor de Michel Temer mais por força de acordos feitos por seus partidos no plano nacional ou por convicções pessoais, do que por influência dos chefes do Grupo Sarney.

Até quarta-feira (2), os bastidores da política do Maranhão e suas extensões em Brasília estarão fervendo num verdadeiro frenesi de articulações, com os partidários do presidente Michel Temer tentando consolidar os votos já certos e atrair eleitores do movimento oposicionista, ao mesmo tempo em que a Oposição se move em sentido contrário, mesmo sabendo que em princípio suas chances parecem ser remotas.

Os apoiadores e adversários do presidente da República no Maranhão sabem que o que for decidido pela Câmara Federal terá forte influência nas montagens que serão articuladas a partir de então para as eleições gerais do ano que vem. Se Michel Temer sobreviver, o Grupo Sarney sairá fortalecido. Se o presidente perder, as forças políticas entrarão em ebulição numa luta de vida ou morte pelo comando da República, seja por eleição indireta, que certamente favorecerá a banda sarneysista da política estadual, ou, numa hipótese muito remota, por via direta, abrindo uma chance para e esquerda com uma eventual candidatura de Lula da Silva.