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Antônio Melo: O poder dos rapazes de boa índole

Resultado de imagem para antônio melo jornalistaPor Antônio Melo
Jornalista

Não sei se alguém entendeu o espetáculo produzido na Câmara nesta última quarta feira. Do mesmo lado votaram Bolsonaro, extrema direita e Jandira Fegalli, PC do B, esquerdíssima. A uni-los estava o encaminhamento da denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente Temer, ao STF, por crime de corrupção.


De outro lado, integrantes de um mesmo partido, o PSDB, se desuniam em torno da mesma proposta. Desfigurada, a sigla tem se caracterizado nos últimos tempos pela sua indiscutível falta de identidade ou posição sobre qualquer assunto. Prefere o muro a posicionar-se sobre o que quer que seja. Presidida por Aécio Neves, um senador investigado e campeão de denúncias no Supremo, é instada a todo momento a substitui-lo. Nem sobre sua substituição se decide. Até agora não sabe o que vai fazer. Se perguntam, Ddiz que sim, que não, que não é assunto para agora.


Foi esse PSDB desfigurado e empoleirado num governo cheio de denúncias que, em plenário, encaminhou voto favorável ao encaminhamento o voto contra o presidente. Mas foi também esse mesmo partido que não se furtou a emprestar um dos seus quadros, o deputado Paulo Abi Ackel, de Minas, para ser autor do relatório Mandrake que saiu da adulterada Comissão de Constituição e Justiça para votação num plenário seduzido por mais de 4 bilhões em emendas parlamentares. E por um fisiologismo escancarado, com ministros saciando apetites por cargos de deputados no recinto da própria Câmara, enquanto desenrolava-se a votação.


Para onde caminha o Brasil?

A lição emanada dos palácios do Planalto e do Jaburu nos últimos dias ensinam que a ética e a boa política são coisas de otários. Os espertos, os inteligentes, os que enxergam longe comportam-se como os "rapazes de boa índole". Buscam levar vantagem em todas as oportunidades. Se têm um voto a dar, o que receberão em troca? A liberação das suas emendas parlamentares não bastam. Tem mais aquele emprego para o parente, o amigo, o cabo eleitoral, a amante. Para isso, não importa se vai demitir um competente e colocar no lugar um incompetente. É o preço. Ninguém quer ser otário. O Brasil que se exploda.


Mas são só os deputados, os senadores? Um olhar mais atento pode revelar coisas assustadoras. Um levantamento do Governo Federal sobre aqueles penduricalhos tipo auxílio moradia, auxílio paletó, auxílio creche e outras mágicas dessas, que abundam nos salários dos três poderes revelou o seguinte: o ministério público é o campeão desses auxílios mandrakes. Eles consomem 13,51% do orçamento só com esses tais penduricalhos. Uma mão na roda. E essa turma ainda fala mal dos outros.

A defensoria pública –um ministério público às avessas, porque ao invés de acusar defende em nome da união- mama 10% das suas verbas só com essas complementações.


No judiciário a teta vasa 9,85% do dinheiro do orçamento com os auxílios para os nossos pobres juízes e promotores, coitados.

Os políticos, é bom que se diga, ficam na rabeira. Esses auxílios representam 6,98% de complementação salarial no legislativo e 5,89 no executivo.

A título de que vem isso? Como explicar que um procurador que tem casa própria e resida nela receba, por exemplo, auxílio moradia? E se for casado com uma procuradora ou qualquer outro enquadrado nessa mamata receba em dobro esse mesmo auxílio? Idêntica pergunta vale para todos os aqueles que recebem iguais auxílios e ainda ficam fazendo discursos pela moralidade, pela ética, apontando o dedo contra os outros como se fossem os cidadãos mais éticos do mundo.


Por falar em ética...

E a mala? Mala? Que mala? Aquela com o dinheiro que o deputado saiu correndo com ela. Aquele deputado que o presidente indicou ao cara que deu a propina como sendo um rapaz de boa índole.


É tudo uma armação, diz o presidente que confessa ter sido ingênuo, apesar dos seus quase cinquenta anos de vida pública. Taí, pode ser. Um complô, na certa. Talvez coisa da Polícia Federal junto com Ministério Público, KGB, CIA, quem sabe...


Né brincadeira não... nesses tempos de hoje eu não duvido de nada.
Nem da desfaçatez.