Rogério Alves: Feminicídio e a inércia da sociedade. - Abel Carvalho

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Estou vivo, ainda.
Tantos já se foram, eu não.
Quantos desafios ainda terei se não morrer?

Perdi pai, irmãos Perdi mãe, Reencontrei amigos, Muitos também se foram.

Eu sigo, estou vivo. Até quando?

Quantos não estão mais aqui...
Quantos dias terei que caminhar...

Estou vivo ainda...
Não sei por quantos dias,
Por quanto tempo caminharei sem destino
Quanto tempo a vida me vagueará...

Quando nós nos conhecemos?
Porque sofremos?
Quantos dias teremos?

A vida é assim...
Quantos dias foram reais...

Às vezes se mira o impossível
A vida é apenas um conjunto de sonhos e quimeras
Nunca
Nunca será a esperada era
O longo caminho que Deus vocifera
A quilha
O limo
A nódoa infante
Não se pode ter sempre o que se quer
E se você não está aqui
Os dias são mais difíceis

Eu, coadjuvante na batalha,
Pereço como tantos que se foram,

Sem contar os dias vacilo em perene devaneio
Ano após ano
Me perco em um passado sem futuro,
Em dias,
Em noites,
Pensamentos obscuros...
Vagueio entre os medos
Que eu mesmo construí

Se escapar, então,
Sei que vou consegui distingui
O Céu do Inferno
Heróis de fantasmas
A vida do fim...

Abel Carvalho

Rogério Alves: Feminicídio e a inércia da sociedade.

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Rogério Alves, advogado - Crimes contra mulher (feminicídio) tem sido notícia comum em nossos meios de comunicação. Na cidade de São Mateus, no Maranhão foi cometido na madrugada do último domingo (16) mais uma vítima foi morta a pauladas dentro de um cemitério.
A polícia conseguiu prender o homem identificado por Carlos Lima, de 21 anos, ele foi preso como principal suspeito de matar Joziele da Silva Sousa, de 22 anos. O acusado afirma que é inocente é que está sendo acusado por ser a última pessoa que foi vista com Joziele.
“Ela é praticamente uma irmã pra mim. Nós estávamos bebendo em uma brincadeira”, disse ele, ao repórter Ray Lima.

A versão do acusado
A festa terminou à meia-noite e de lá seguiram para casa de moto, já que ambos residem próximo um do outro. Próximo da casa Joziele, a moto teria estancado e ela pulou da moto e saiu correndo, depois não a vi mais. Só soube no outro dia porque a irmã dela e minha comadre me ligou contando o que aconteceu, disse o suspeito.
No entanto, a polícia encontrou com Carlos Lima, a bolsa e o celular da jovem. Ele já foi encaminhado Unidade Prisional de Ressocialização (UPR) de Bacabal, na BR-316, no Povoado Piratininga.
O caso me fez lembrar que, após sete dias de julgamento, o biólogo Luis Felipe Manvailer foi condenado a 31 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão pelo homicídio qualificado de sua mulher, a advogada Tatiane Spitzner. O juiz afirmou que a vítima vivia um relacionamento abusivo com Manvailer e considerou como qualificadores do assassinato feminicídio, meio cruel, motivo fútil, além de fraude processual por limpar vestígios de sangue de Tatiane.
No caso, as cenas gravadas pelas câmeras de segurança do edifício mostram os momentos que antecederam a morte da advogada, na noite de 22 de julho de 2018. Tatiane foi asfixiada e jogada pela janela do apartamento do casal. O acusado queria convencer a todos que apenas agrediu a mulher e que esta se jogou do prédio.
No caso de São Mateus do Maranhão, Joziele da Silva Sousa, de 22 anos, foi morta a pauladas, encontrada nua, com o rosto desfigurado e com suspeita de ter sofrido violência sexual. O acusado afirma que saiu com a jovem e, sem qualquer motivo, desceu da sua moto e saiu correndo. Que somente pela manhã tomou conhecimento de sua morte.
A reflexão que precisa ser feita sobre esses casos é sobre a omissão da sociedade em relação à violência doméstica. Sobre como ,mesmo passados 15 anos da Lei Maria da Penha, ainda há quem resista a interferir e pense em não ajudar acreditando que aquela violência está restrita ao foro íntimo e não é um problema de todos.
Agressões sexuais devem ser denunciadas, por mais vergonhoso que pareça. O feminicídio é um crime evitável, basta tratá-lo precocemente. Evite a segunda agressão denunciando a primeira, por menor que seja.

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