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Rogério Alves: Vamos salvar o Brasil sem buscar salvadores

Por Rogério Alves Advogado O governo Temer representa o fim (ou a continuidade) do grupo corrupto que governa o Brasil desde 2008 e é preci...

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Deputados e senadores do Maranhão são a favor de Temer não renunciar

Membros da bancada maranhense no Congresso Nacional ouvidos por O Estado acreditam que delação da JBS não é suficiente para que presidente deixe o cargo

CARLA LIMA SUBEDITORA DE POLÍTICA

O Estado Ma
Os senadores João Alberto e Roberto Rocha acreditam que não há motivo para a crise política anunciada; Os deputados Juscelino Filho e Hildo Rocha defendem Temer, mas dizem que a governabilidade será difícil (Foto: Arquivo)


Os últimos acontecimentos da Operação Lava Jato, que envolveram delações de empresário com o presidente da República Michel Temer (PMDB), fizeram com que debates sobre propostas como as reformas política, da Previdência e trabalhista fossem deixadas de lado pelos deputados e senadores em Brasília. O Estado ouviu membros da bancada maranhense no Senado e na Câmara dos Deputados sobre a situação atual do país.

A maioria dos que se manifestaram defendem a permanência do presidente Michel Temer. O senador João Alberto de Souza (PMDB), por exemplo, considera que a crise iniciada no início da noite da quarta-feira, 17, já chegou ao fim e que as votações no Congresso devem retornar durante a semana.

“Nada vai parar porque o que houve foi um problema de interpretação. Uma conversa acabou sendo mal-interpretada e tudo já está sendo esclarecido. Quanto às reformas, as análises retornaram tanto na Câmara quanto no Senado. A crise está debelada”, afirmou o senador do PMDB.


De opinião parecida é o outro senador maranhense, Roberto Rocha (PSB). Segundo ele, o conteúdo da delação do empresário Joesley Batista não justifica toda a repercussão que o caso ganhou tanto no meio político quanto na mídia. “Até agora, repito, até agora não vi nada que justifique essa hecatombe. Realmente, a montanha pode parir um rato”, disse Rocha.


O senador do PSB, no entanto, ponderou que se as investigações que já estão em curso desmentirem o presidente da República, Roberto garante que defenderá a renúncia de Temer e a eleição indireta no prazo de 30 dias, conforme previsto na Constituição Federal.


“Agora, caso aconteça dos fatos desmentirem a fala firme do presidente Temer, eu defendo a renúncia dele e, neste caso, a solução, lógico, é pela Constituição que eu jurei defender”, afirmou Roberto Rocha.


Entre a maioria dos deputados ouvida por O Estado, a opinião é parecida. Segundo os parlamentares, o conteúdo da delação não prova nada. Juscelino Filho (DEM) diz que falta contundência aos áudios e reclamou que toda a confusão trouxe prejuízos à economia brasileira.


Sobre a tramitação das reformas, o democrata já não vê tanta facilidade para o presidente Michel Temer. Segundo Juscelino, a continuidade da tramitação das reformas vai depender do comportamento dos partidos e dos parlamentares da base do governo.


“Se o presidente conseguir manter a governabilidade e sua base no Congresso, acredito que as reformas possam ser retomadas e avançar. Mas se ele não conseguir manter sua base e se começar a sair partidos e sofrer um esvaziamento da base, será muito difícil as reformas acontecerem”, afirmou o deputado.


Hildo Rocha (PMDB) também acredita que as gravações tirem Temer da presidência, mas avalia que a base governamental ficou “desarrumada”, o que torna a aprovação das reformas da Previdência e Trabalhista difícil.

Parlamentares seguem partidos
Dois deputados federais estão acompanhando a decisão de seus partidos quanto ao apoio a Michel Temer. Aluisio Mendes, do antigo PTN e agora Podemos, acompanha a decisão de sua legenda, que é o rompimento com o governo. No entanto, a sigla não se colocou como oposição ao Governo. A posição do Podemos é de independência. O deputado Pedro Fernandes também acompanha sua legenda na Câmara. Em nota oficial, o PTB declarou que continuará na base do governo Temer aguardando o resultado das apurações.


Deputados da oposição querem saída de Temer e convocação de eleições diretas
Entre os deputados ouvidos por O Estado, somente os que são de partidos de oposição ao presidente Michel Temer ainda pregam a saída do peemedebista da Presidência da República. Weverton Rocha (PDT), Eliziane Gama (PPS) e Rubens Júnior (PCdoB) querem ainda que seja convocada uma eleição direta para escolha de um novo presidente.


Desde que foram divulgadas as informações sobre a delação de Joesley Batista, os deputados maranhenses de partidos de oposição usam as redes sociais para se manifestar pela renúncia de Temer.


A O Estado, o deputado Weverton Rocha disse que a renúncia ou cassação do peemedebista é necessária porque não há mais condições de governabilidade para o peemedebista. “O Temer diz que não vai renunciar, mas não vejo como ele possa continuar depois da divulgação desses áudios gravíssimos”, disse.
A instabilidade política no Brasil, no entanto, parece ser vista, neste momento, como uma vantagem para o pedetista. O motivo é que, segundo ele, as reformas trabalhista e da Previdência ficarão paralisadas. “Não vejo como essas reformas avançarem, o que é bom porque os textos estavam muito ruins”, afirmou Weverton.


A deputada Eliziane Gama diz que o fato das delações da JBS é o mais grave envolvendo um presidente da República e, por isso, Michel Temer não tem como continuar comandando o Brasil. A deputada defende também a escolha do novo presidente por eleição direta e não por votação somente dos congressistas.
“Este episódio é o mais grave envolvendo o presidente da República, o que exige o seu imediato afastamento das funções, para que os brasileiros possam ir às urnas escolher diretamente um novo mandatário”, garantiu Gama.


O deputado Rubens Júnior tem a mesma opinião da pepessista. Ele quer a saída de Temer e convocação de eleição direta. l