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Mais uma vez sem internet...

Estou tentando usar a banda 3G da TIM para explicar que, mais uma vez, estou impedido de atualizar o blog. Motivo: queda do sinal da inter...

Treine Reis Magos

Treine Reis Magos
Estou tentando usar a banda 3G da TIM para explicar que, mais uma vez, estou impedido de atualizar o blog.

Motivo: queda do sinal da internet. Novo prazo para o retorno do sinal que me foi passado pela OI/Velox: 04 de junho.

Peço desculpas, mais uma vez, em razão daquilo que não é minha culpa.


Abel Carvalho


Já condenado no mensalão e no petrolão, desta vez o ex-ministro foi flagrado como principal beneficiário de propina de fornecedores de tubos da Petrobras

DANIEL HAIDAR
época
O ex-ministro José Dirceu teve mais um esquema de propinas descoberto na investigação. Deflagrada nesta terça-feira (24), a operação Vício, a 30ª fase da Lava Jato, investiga o suborno recebido por Dirceu de fornecedores de tubos da Petrobras. O dinheiro era repassado por um advogado do Rio de Janeiro e por operadores de São Paulo. Uma construtora de fachada também era utilizada para repassar o dinheiro. Os contratos custaram mais de R$ 5 bilhões à estatal e renderam mais de R$ 40 milhões de propina. Dois funcionários da Petrobras também são investigados.
O nome da operação é uma homenagem especial ao ex-ministro, que já foi condenado em uma ação penal da Operação Lava Jato a 23 anos de prisão – e agora deve responder a mais um processo no caso. Tudo isso enquanto ele ainda cumpria a sentença do mensalão – de 7 anos e 11 meses de prisão. De acordo com a Polícia Federal, a operação Vício faz referência à sistemática, repetida e aparentemente dependente, prática de corrupção por determinados funcionários da Petrobras e agentes políticos "que aparentam não atuar de outra forma senão através de atos lesivos ao Estado", de acordo com comunicado da Polícia Federal. A PF também quis remeter à ideia de que alguns setores do Estado precisam passar por um processo de desintoxicação do modo corrupto de contratar.
Os policiais saíram às ruas para cumprir  28 mandados de busca e apreensão, 2 mandados de prisão preventiva e 9 mandados de condução coercitiva nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
Três grupos de empresas são investigados por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, porque utilizaram operadores e contratos fictícios para repassar propina de contratos da Diretoria de Serviços e da Diretoria de Abastecimento da Petrobras.
Também é investigado o pagamento de propina a executivo da área internacional da estatal por contratos de compras de navios-sondas.
O ex-ministro José Dirceu chega à sede da Superintendência da Justiça Federal, em   Curitiba (PR), para participar do depoimento (Foto: PAULO LISBOA/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

Afirmação foi divulgada em carta enviada ao presidente do TCE-MA.
Thiago Maranhão era 'funcionário fantasma' do tribunal.

Márcia CarlileDo G1 MA



Filho do deputado Waldir Maranhão foi exonerado do TCE-MA (Foto: Facebook/ Waldir Maranhão)Filho do deputado Waldir Maranhão foi exonerado do
TCE-MA (Foto: Facebook/ Waldir Maranhão)
A afirmação foi divulgada por meio de uma carta enviada, no último dia 16 de maio, ao presidente do TCE, João Jorge Jinkings Pavão, onde o médico afirma “arrependimento eficaz” e reconhece “os erros e equívocos” cometidos no decorrer de suas funções durante o período em que foi funcionário do órgão público no Maranhão.
Em um dos trechos da carta, Thiago Maranhão admite que não percebeu a gravidade dos fatos. “Não tive no primeiro momento, a capacidade de avaliar o grau de sua complexidade, todavia, estou aqui já que não somos capazes de voltar ao status aquo, para reconhecer que se porventura cometi alguma falta funcional ou causei qualquer prejuízo aos cofres públicos, tenho total responsabilidade e compromisso de devolvê-los, a fim de evitar maiores danos pessoais que me possa causar”.
O médico conclui a sua carta ao presidente do TCE dizendo que devolverá todo o montante recebido durante sua passagem pelo órgão público. “Assim Senhor Presidente, coloco-me a inteira disposição desse órgão para reparar os prejuízos de ordem financeira causado ao erário, por ser essa a medida de justiça”.    
Thiago Maranhão foi nomeado Assessor do Conselheiro Edmar Cutrim em novembro de 2013 e recebia um salário de cerca de R$ 7,5 mil, além de R$ 800 de auxílio alimentação. O médico ficou no cargo até maio e foi exonerado após as denúncias de que seria um "funcionário fantasma".
Bloqueio dos bens
O juiz titular da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, Douglas Martins, pediu no último dia 17 deste mês o bloqueio online de ativos financeiros e veículos do médico Augusto Azevedo Maranhão Cardoso até o limite de R$ 235 mil. Na sentença consta a restrição de transferência no Detran-MA e expedição de ofício aos cartórios de registro de imóveis avisando sobre a decisão.
Thiago Maranhão afirma que devolverá dinheiro ao cofres públicos por meio de carta enviada ao presidente do TCE-MA (Foto: Divulgação/Blog do Neto Ferreira)Thiago Maranhão afirma que devolverá dinheiro ao cofres públicos por meio de carta enviada ao presidente do TCE-MA (Foto: Divulgação/Blog do Neto Ferreira)
O governador Flávio Dino coordenou reuniões coordenadas e definiu, juntamente com a cúpula da Segurança Pública, novas estratégias para combater as ações criminosas. Foto: Gilson Teixeira/Secap
O governador Flávio Dino coordenou reuniões coordenadas e definiu, juntamente com a cúpula da Segurança Pública, novas estratégias para combater as ações criminosas. Foto: Gilson Teixeira/Secap
O governador Flávio Dino voltou a se reunir com a cúpula do sistema de Segurança do Estado na tarde desta segunda-feira (23), no Palácio dos Leões. Na pauta do encontro, avaliação das ações das forças policiais e definição de estratégias para as atividades das próximas horas.
Desde quando os incêndios criminosos a ônibus foram deflagrados na última quinta-feira (19), o governador Flávio Dino, o secretário de Estado de Segurança Pública, Jefferson Portela, o comandante-geral da Polícia Militar, Coronel Pereira, o delegado-geral da Polícia Civil, Lawrence Melo, e o chefe do Gabinete Militar, Coronel Leite, estão se reunindo diariamente para determinar os procedimentos que garantam a segurança da população da Região Metropolitana de São Luís.
Com ações firmes e operações específicas de abordagens e embarque nos coletivos, além de patrulha permanente de motocicletas e viaturas, as forças de segurança já realizaram 54 prisões, das quais 25 autuados em flagrante, com relação direta com os incêndios. “Luta pela paz, contra quadrilha que quer voltar a mandar em Pedrinhas”, ressaltou o governador, destacando o forte combate às facções criminosas.
Toda a intensificação do trabalho da polícia foi feita mediante articulação definida em reuniões estratégicas desde a madrugada da sexta-feira (20), logo após o início dos incêndios criminosos. Desde então, sucessivas reuniões coordenadas pelo governador Flávio Dino definem, juntamente com a cúpula da Segurança Pública, novas estratégias para combater as ações criminosas.
Além das prisões, as ações estratégicas têm surtido efeito ao longo dos dias, com presença de policiamento intensivo nas áreas mais críticas e o reforço ao combate a outros tipos de crimes. “Faremos nova reunião amanhã”, enfatizou Flávio Dino.
O governador Flávio Dino coordenou reuniões coordenadas e definiu, juntamente com a cúpula da Segurança Pública, novas estratégias para combater as ações criminosas. Foto: Gilson Teixeira/Secap
O governador Flávio Dino coordenou reuniões coordenadas e definiu, juntamente com a cúpula da Segurança Pública, novas estratégias para combater as ações criminosas. Foto: Gilson Teixeira/Secap
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Ribamar Santana/ Agência Assembleia

Clima de violência em São Luís proporciona debates acalorados na Assembleia
A onde de violência reinante em São Luís nos últimos dias, com seguidos ataques a ônibus e consequentemente o pânico vivido pela população, além d a interrupção dos serviços de transporte coletivo, dominou o debate na sessão da Assembleia, nesta segunda-feira (23). “As facções estão se organizando, mandando mensagem para cá e para lá. Parabenizo a ação forte da Polícia, com 35 presos, mas precisamos melhorar a diária dos nossos policiais”, disse o deputado Cabo Campo, provocando o debate.
Segundo Cabo Campos, os policiais vindos do interior para reforçar o policiamento da capital estão submetidos a uma escala muito pesada de trabalho e ganhando uma diária de R$ 150, que ainda não foi paga. No entanto, acrescentou que “os militares da Guarda Nacional, que sou a favor que venham, já chegam aqui com a diária no bolso de R$ 272,00 e vão ter um bom alojamento, uma boa alimentação e uma escala digna de trabalho. Por que não darmos essas mesmas condições aos nossos policiais?”, reclamou.
O deputado Júnior Verde (PRB), presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública e Privada, manifestou-se favorável à vinda da Guarda Nacional, mas advertiu que a medida não resolve o problema de Segurança Pública do Estado, apenas reforça a segurança em um momento emergencial.
SUGESTÃO DE MEDIDAS DE SEGURANÇA
“Para tanto, sugerimos, dentre outras medidas: a continuidade dos concursos públicos para a Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros;  para a Polícia Civil, para que muitos policiais que, hoje, cumprem funções burocráticas possam reforçar o policiamento; celeridade na implantação dos Postos Estaduais de Policiamento em todo o Estado e de investimentos em viaturas e em armamento; a implantação imediata de bloqueadores de sinais de celulares em presídios; a imediata transferência de todos os líderes de facções que atuam dentro dos presídios; mudar as leis para que sejam mais rígidas, e os bandidos tenham a certeza da punição e a implantação dos Conselhos de Segurança Comunitários”, discorreu Júnior Verde.
O deputado Wellington do Curso (PP) disse que a questão da Segurança Pública é estrutural e que todos são responsáveis. “Enquanto não chega o braço do Estado, enquanto não chegam as benfeitorias, chega o braço da criminalidade, do crime organizado. No Bairro do Coroadindo, por exemplo, temos 65% dos jovens envolvidos com algum tipo de crime ou consumo de drogas. Pedimos ao governador mais empenho, mais atenção na parte estruturante do governo do Estado, para que possamos conter essa onda de violência”, observou.
Para o deputado Bira do Pindaré (PP), a população percebeu uma clara mudança de postura do Governo do Estado no enfrentamento da violência e o que se viu nesses últimos dias, em São Luís, é uma clara reação da criminalidade ao avanço da polícia com as blitzes, com o enfrentamento ao tráfico de drogas, com a presença do policiamento nas ruas. “O governo não ficou omisso, não se escondeu e tomou todas as providências possíveis ao seu alcance para dar respostas imediatas a esses episódios. Eu vi o secretário de Segurança na rua, vi o governador na rua, lá no Coroadinho. Parabenizo o governador Flávio Dino, o secretário de Segurança e a Polícia Militar pela atitude. É isso que se espera de um governo”, ressaltou.
O deputado Edilázio Júnior (PV) destacou a mudança de discurso de alguns deputados da Casa e do governador Flávio Dino diante dos mesmos fatos já ocorridos em São Luís no governo passado. “À época, Flávio Dino e seus liderados diziam que era falta de pulso, falta de comando. Agora não. Agora é porque o governo está combatendo o crime, está indo pra cima da bandidagem. Isto é querer brincar com a opinião pública, é querer brincar com os maranhenses”, ressaltou.
Edilázio Júnior questionou o porquê de o governador não convocar os excedentes do último concurso da Polícia Militar e preferir recorrer à ajuda do Governo de Temer, que ele acusa de golpista, para socorrer o Maranhão com o envio da Força Nacional. “Sairia mais barato chamar os excedentes, traria mais emprego e mais estabilidade para o nosso Estado”, argumentou.
Por sua vez, o deputado Eduardo Braide (PMN) disse que é inadmissível que São Luís fique refém de uma situação como essa. “A Polícia Federal deve ser chamada para dar sua contribuição, principalmente no que diz respeito ao serviço de inteligência. Esta Casa precisa tomar a frente e se alguma medida legislativa estiver ao alcance, temos que colocá-la urgentemente no ordenamento jurídico para dar mais segurança, para dar mais tranquilidade a essa população que tanto sofre”, defendeu.

O líder do Governo, deputado Rogério Cafeteira (PSB), afirmou que o Governo não negociou e nem negocia com facções e destacou o trabalho feito pela Polícia Militar e Civil no enfrentamento da onde de violência. “Eles merecem nossa referência, nossa admiração e respeito. Eles estão no enfrentamento e a Força Nacional vem para ajudar. Nós vamos enfrentar a crise e vencer. Aqui não cabe a nós fazer comparação e nem politizar um problema deste, que é um problema de toda a sociedade”, observou.
Por: Severino Motta
Veja.com
Marun: favor para Cunha
Marun: favor para Cunha

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), um dos aliados de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apresentou nesta segunda-feira uma questão de ordem ao presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-PI), e à Mesa Diretora da Casa.


Nela, o parlamentar questiona se Cunha deve enviar ao Conselho de Ética uma defesa somente no caso da existência de contas no exterior ou se deve, também, se manifestar pelo suposto recebimento de propina.

A propina, que não fazia parte da petição inicial que gerou o processo, foi inserida na semana passada pelo relator da matéria, Marcos Rogério, na sessão em que o próprio Cunha se defendeu no Conselho de Ética.

Na prática, a resposta de Maranhão pode restringir a investigação somente ao fato de Cunha ter negado ter contas no exterior, apesar de documentos do Ministério Público Federal dizerem o oposto.


Estadão Conteúdo


O PT vai usar a primeira crise do governo Michel Temer para tentar anular o processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff. Mesmo com o afastamento rápido do ex-ministro Romero Jucá – depois que veio à tona um diálogo no qual o senador diz ser preciso mudar o governo para “estancar essa sangria”, numa referência à Operação Lava Jato -, senadores do PT farão de tudo para paralisar a comissão do impeachment.
Embora até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva considere difícil Dilma retornar ao Palácio do Planalto, após o julgamento final no Senado – previsto para ocorrer entre agosto e setembro -, os problemas no início da gestão Temer animaram o PT. Sob comando de Lula, será reforçada a ofensiva para reverter seis votos de senadores que votaram pela deposição da presidente. A ideia é bater na tecla de que o processo foi “contaminado” por desvios de finalidade.
“Se alguém ainda não tinha certeza de que há um golpe em curso, baseado no desvio de poder e na fraude, as declarações fortemente incriminatórias de Jucá sobre os reais objetivos do impeachment e sobre quem está por trás dele eliminam qualquer dúvida”, afirmou Dilma, na noite de segunda-feira, 23, na abertura de um congresso de trabalhadores na agricultura familiar.
Aplaudida pela plateia, formada por cerca de 700 pessoas, a presidente afastada disse que a gravação de um diálogo entre Jucá e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado “escancara” o modus operandi do que chamou de “consórcio golpista”.
Sob gritos de “Fora Temer” e “Não vai ter golpe”, Dilma declarou que continuará lutando para defender o seu mandato e criticou o ministério montado pelo presidente em exercício. “Os brasileiros não elegeram um governo só de homens, brancos, ricos e velhos.”
Dilma passou o dia em reunião com antigos auxiliares, no Palácio da Alvorada. Antes do almoço, chamou o ex-ministro da Secretaria de Governo Ricardo Berzoini e pediu que ele desse o tom da reação petista ao escândalo envolvendo Jucá. “Exigimos a demissão de Romero Jucá e a investigação da relação de Temer com esse diálogo”, disse Berzoini. Em sua conta no Twitter, o presidente do PT, Rui Falcão, escreveu que a “Operação Lava Jato acabou por se tornar instrumento da escalada golpista”.
Dirigentes e ex-ministros do PT foram informados de que Machado fechou delação premiada com o Ministério Público e também teria denunciado Renan e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Renan disse na segunda que, por causa da antecipação da sessão do Congresso que analisará a revisão da meta fiscal – marcada para esta terça – a reunião da comissão do impeachment foi adiada para a quarta-feira, 25. “Não tomei conhecimento de delação”, desconversou ele.
No diálogo com Jucá, ocorrido semanas antes da votação do impeachment na Câmara, Machado falou sobre o esquema de corrupção na Petrobras. “Jucá foi o grande articulador do impeachment no Senado e, agora, aparece dizendo que a montagem do governo Temer previa um pacto para encerrar investigações da Lava Jato”, destacou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). “É claro que o impeachment está contaminado.”
A estratégia de Dilma e do comando petista será bater na tecla de que Jucá representa, no Senado, o mesmo que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi na Câmara. Cunha deu o pontapé inicial para o impeachment e acabou afastado do comando da Casa por decisão do Supremo Tribunal Federal. Réu na Lava Jato, ele é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Do UOL, em São Paulo

  • Alan Marques-28.jan.2009/Folhapress
    Jucá foi ministro da Previdência do governo Lula entre março e julho de 2005
    Jucá foi ministro da Previdência do governo Lula entre março e julho de 2005
Exonerado do Ministério do Planejamento após 12 dias de governo interino de Michel Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) também teve uma "passagem relâmpago" quando foi ministro pela primeira vez. De 22 de março a 21 de julho de 2005, durante o primeiro mandado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele comandou a pasta da Previdência Social e deixou o cargo desgastado por denúncias de corrupção.
Naquele ano, Jucá foi acusado de praticar fraudes relacionadas ao estatal Basa (Banco da Amazônia). Um inquérito foi aberto no STF (Supremo Tribunal Federal), após o jornal "Folha de S. Paulo ter revelado que o senador e um sócio ofereceram sete fazendas fantasmas como garantia para que obtivessem um empréstimo do banco para construir um abatedouro de aves em Roraima: a empresa Frangonorte. A empresa pertenceu a Jucá entre 1994 e 1997.
O Basa também cobrava do ministro e de seu parceiro uma dívida de R$ 25 milhões do FNO (Fundo Constitucional do Norte). O dinheiro provinha de recursos públicos.
"Acho que o Supremo é o local adequado para fazer a apuração dos fatos. A ninguém mais do que eu interessa apurar os fatos. Eu estou com a consciência tranquila. Não cometi nenhum tipo de irregularidade nessa questão", disse o ministro, à época.
Em novembro de 2008, o ministro do STF) Cezar Peluso declarou a extinção da punibilidade, por prescrição da pena, do então líder do governo Lula no Senado e arquivou o processo, com a concordância do Ministério Público Federal. O pedido de arquivamento foi feito pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que ainda defende Jucá, alvo de inquérito na Operação Lava Jato.

IGOR GIELOW/FOLHA

episódio Romero Jucá demonstra, caso alguém ainda tivesse dúvida, como a Operação Lava Jato tornou-se intocável politicamente. "Interferir na Lava Jato" é o novo "acabar com o Bolsa Família", "privatizar a Petrobras" ou qualquer outro bordão tóxico para políticos.

O que mais surpreende não é tanto o conteúdo das inconfidências de Jucá ou a tentativa de edulcorar a conversa, mas o fato de que políticos que se orgulham de seu propalado profissionalismo não tenham antevisto a confusão.

Jucá já era um dos mais enrolados líderes do PMDB na Lava Jato antes de assumir o Planejamento. Michel Temer insistiu em sua nomeação baseado na capacidade do correligionário de azeitar a coordenação dos interesses do Planalto no Senado, particularmente a agenda econômica, mas não só –Dilma Rousseff ainda será julgada pela Casa.

Temer menosprezou os riscos, e agora tem a primeira baixa de peso com pouco mais de uma semana no cargo. O mesmo critério levou o presidente interino a aceitar nomes sob suspeita no gabinete e uma figura como a do líder na Câmara, acusado até de tentar matar um vigia.

O peemedebista talvez não tenha outra opção. Mas agora terá de lidar com o reforço à desconfiança das intenções do seu PMDB em relação à Lava Jato, que já não era pouca, já que o partido divide com PT e PP o estrelato no rol de acusados no petrolão.

Efetivamente, o acordão sugerido por Jucá parece intangível, até pela quantidade de atores que teria de arregimentar –a começar por um certo juiz de Curitiba, delegados e procuradores.

Do ponto de vista estritamente legal, pode até ganhar o salvo-conduto da Procuradoria-Geral da República, instada a falar sobre o áudio com Sérgio Machado. Jucá sonha com uma "solução Hargreaves", referência a um aliado de Itamar Franco que foi afastado durante uma investigação e voltou ao cargo após ser inocentado. Na prática, contudo, sua situação é hoje incontornável.
Temer sofre um forte abalo de saída, já que Jucá carregava o software de negociação política da agenda econômica a ser anunciada nesta terça (24) por Henrique Meirelles (Fazenda).

É provável, inclusive, que toque o serviço com o terno de senador. Num Congresso em que a maioria dos seus colegas tem a mesma opinião dele sobre a Lava Jato, pode até funcionar –desde que ninguém fale em voz alta.

Temer vê aumentada sua dívida com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), desafeto e um dos últimos aliados a abandonar Dilma. Ele é central para o encaminhamento das propostas que cabiam a Jucá.
Ao menos até surgirem eventuais novidades; por sinal, Sérgio Machado era apadrinhado de Renan na Transpetro.

A preocupação é de que outros integrantes da cúpula do PMDB sejam envolvidos; Temer tem cinco ministros alvo de inquéritos no Supremo

TÂNIA MONTEIRO ERICH DECAT / BRASÍLIA - O ESTADO DE S.PAULO

A divulgação da gravação do diálogo do ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, sobre a tentativa de barrar a Operação Lava Jato, criou a primeira grande crise interna do governo interino de Michel Temer. Junto com o áudio, veio outra preocupação com a extensão do que mais poderia existir e que outras pessoas da cúpula do PMDB, com e sem ligações fortes com o Planalto, poderiam ser atingidas com as conversas.

Interlocutores diretos de Temer afirmam que ele não tem nenhuma preocupação pessoal, mas que a mesma segurança não existe em relação a outros auxiliares. Caso haja novos problemas a solução tende a ser a mesma: afastamento imediato.

Com a saída de Jucá, Temer agora tem cinco ministros com investigações em curso no Supremo Tribunal Federal. Ele questionou todos, quando foram convidados, se teriam alguma pendência judicial. A resposta de Jucá foi absolutamente tranquilizadora, assim como dos demais, segundo interlocutores. Temer, então, avisou a cada um e repetiu isso, na primeira reunião ministerial, de que não aceitará qualquer tipo de desvio de ordem moral. Reiterou ainda que, se houvesse problemas, o titular da pasta seria afastado.
Um dos casos que preocupam, por exemplo, é o de Henrique Eduardo Alves (Turismo). A casa dele foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em dezembro do ano passado em uma das fases da Lava Jato.
Apesar de lamentar a perda de uma peça fundamental do seu governo, considerado um hábil operador político que seria de importante neste momento de articulação para a aprovação de medidas no Congresso, Temer e seus auxiliares respiraram aliviados com a decisão de Jucá de se afastar do cargo. O ministro comunicou sua decisão a Temer assim que ele chegou ao Congresso para se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Bastidor. Na manhã de ontem, Jucá foi ao Jaburu, explicou a Temer que, se a gravação saísse integral, todos veriam que não haveria problemas. Pediu ainda que o presidente permitisse que ele se explicasse publicamente, o que foi feito em uma coletiva, no início da tarde. Mas o estrago já estava feito e o governo precisava agir rápido. Temer informou que a defesa da Operação Lava Jato é ponto de honra para ele, assim como o combate à corrupção. Jucá ponderou que, da forma como estava sendo apresentada a gravação, todos ficavam em único balaio e que ele queria mostrar que, quem deve, precisa pagar, mas quem não deve precisava se defender. O ministro salientava ainda que queria se explicar e que, depois, então, Temer decidiria. O presidente disse que iria avaliar. “Vamos esperar o decorrer do dia”, afirmou Temer a seus interlocutores, já tendo certeza de que manter um ministro sob investigação e sob tiroteio, em um momento em que seu governo precisa de mostrar força no Congresso para aprovação de medidas econômicas, seria muito prejudicial.
A avaliação era de que a permanência de Jucá no posto contaminaria o governo Temer e a sua busca por credibilidade, por causa do seu discurso de posse, quando defendeu a Lava Jato.
Caciques. A preocupação no PMDB é grande. O entendimento é de que Machado, para se livrar das acusações das quais é alvo na Lava Jato, entregou caciques do partido como o ex-presidente José Sarney e os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, Edison Lobão (PMDB-MA) e Jader Barbalho (PMDB-PA). Segundo relatos, Machado, que tem relação com o grupo há pelo menos 20 anos, chegou a tentar a realizar um encontro com Jader em São Paulo, que só não foi possível em razão de o senador, na ocasião, estar internado no Hospital Sírio Libanês. Apesar de não ter conseguido falar com Jader, integrantes da cúpula do Senado têm como certo que Renan e Sarney não escaparam das gravações.
O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou à Justiça Federal no Paraná que recebeu R$ 500 mil de Machado – o dinheiro é suspeito de ser proveniente do esquema de corrupção.

Há informações também de que Machado gravou reuniões com o ex-presidente da República José Sarney (PMDB) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para reforçar acordo


Correio Brasiliense
Pivô da queda do ministro do Planejamento, Romero Jucá, o ex-presidente da Petrobras Transporte S.A. (Transpetro) e ex-senador pelo PMDB Sérgio Machado fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Falta apenas a homologação por parte do relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Teori Zavascki.

Pelas regras da colaboração premiada, é preciso que a Justiça aceite os termos dos acordos, que envolvem a confissão de crimes, o pagamento de multas e indenizações pelos valores desviados, e entregue informações e documentos sobre a participação de outros criminosos no esquema. Há informações também de que Machado gravou reuniões com o ex-presidente da República José Sarney (PMDB) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para reforçar seu acordo com o Ministério Público. Ontem, a defesa de Sérgio Machado disse ao Correio que não comentaria o assunto.

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As conversas com o ministro do Planejamento foram gravadas por Machado na casa do ministro em março, antes de a presidente Dilma Rousseff ser afastada do cargo no processo de impeachment. No diálogo, Jucá diz ao ex-presidente da Transpetro que só num outro governo poderia haver um “pacto” para “estancar a sangria” da Operação Lava-Jato. “Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar”, disse o ministro, de acordo com os áudios publicados pela Folha de S.Paulo. “Tem que ser política, advogado não encontra... Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.”

Manifestantes chamam presidente interino de "golpista", em meio à polêmica de gravação de Jucá


O presidente interino da República, Michel Temer, deixou o Congresso Nacional na tarde desta segunda-feira (23), onde esteve para entregar o projeto de lei que altera a meta fiscal prevista para este ano, aos gritos de golpista. Na chegada, Temer também enfrentou protestos tanto fora quanto nos corredores da Casa, a caminho da reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Os manifestantes pediram, ainda, a prisão do ministro do Planejamento, Romero Jucá, minutos antes que ele anunciasse que está se licenciando do cargo. Nesta segunda-feira (23), um áudio publicado pela Folha de S.Paulo revelou que Jucá planejava interromper as investigações da Lava Jato, em conversa de março deste ano com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.
Temer enfrentou protestos na chegada e na saída do Congresso Nacional, onde esteve nesta segunda
Temer enfrentou protestos na chegada e na saída do Congresso Nacional, onde esteve nesta segunda
Na gravação, Jucá sugere a Machado que uma "mudança" no governo federal (o impeachment da presidente Dilma Rousseff) resultaria em um pacto para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos. Os diálogos entre Jucá e Machado, gravados de forma oculta, aconteceram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment de Dilma. São 1h15min de conversas, em poder da Procuradoria-Geral da República. Em uma parte da conversa, Machado diz: "Tem que ter impeachment". O agora ministro responde: "Tem que ter impeachment. Não tem saída".
Em pouco mais de dez dias, o governo Michel Temer já foi alvo de protestos em diversas capitais sobre diferentes assuntos, como a extinção do Ministério da Cultura, o fato de diversos ministros de Estado serem investigados da Lava Jato e a respeito de questionamentos quanto à legitimidade do processo que afastou a presidente Dilma Rousseff pelo prazo de 180 dias para julgamento do impeachment.

Romero Jucá, segundo homem do PMDB, deixou o novo governo com apenas 18 dias

POR NOTÍCIAS AO MINUTO

O plano de trabalho do presidente em exercício Michel Temer perderá velocidade no Congresso com a saída de Romero Jucá, segundo homem do PMDB a cair em apenas 18 dias.

Sem ele e sem Eduardo Cunha, dois dos principais operadores do presidente interino no Legislativo, ficará mais difícil aprovar uma pauta econômica ambiciosa com os deputados. Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, em conversas com aliados, Jucá reconheceu que terá menos poder para influenciar votações polêmicas.
Ainda segundo a publicação, os amigos acreditam que a saída de Jucá não é uma boa estratégia para quem quer ver o impeachment definido no Senado.
Depois das quedas de Jucá e Eduardo Cunha, políticos falam em “maldição do impeachment”. “Eles derrubaram Dilma e estão caindo um a um”, brinca um cacique, que completa: “Quem será o próximo?”.
Lava-Jato acha que eventual delação de Lúcio Bolonha Funaro seria 'bala de prata' contra deputado afastado

POR CHICO OTAVIO
O Globo


O doleiro Lúcio Bolonha Funaro - 08-03-2006/ Dida Sampaio - Divulção / Agência Estado
RIO — Alberto Youssef, Júlio Camargo, Fernando Baiano, Milton Schahin, Ricardo Pernambuco Júnior. É longa e consistente a lista de delatores da Lava-Jato que denunciaram o envolvimento do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afastado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da Presidência da Câmara, com corrupção na Petrobras. Nenhum deles, contudo, supera em expectativa a aguardada delação premiada do doleiro Lúcio Bolonha Funaro. Os investigadores da Lava-Jato consideram os segredos de Funaro, visto como o principal parceiro dos negócios suspeitos de Cunha, a bala de prata contra o parlamentar.

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Mulher de João Santana diz que Eike Batista fez pagamentos no exterior


Desde que a relação entre Funaro e Cunha tornou-se pública, em 2005, quando o doleiro teve de explicar à CPI dos Correios as razões que o levaram a pagar, mensalmente, aluguel de R$ 2.200 e condomínio de mais de R$ 600 para o deputado no flat Blue Tree Towers, em Brasília, ambos tentam escondê-la com negativas recorrentes e ações judiciais contra jornalistas que insistem em mostrá-la. Mas as investigações da Lava-Jato jogaram por terra essa estratégia ao produzir uma coleção de provas de que a parceria é profunda e ativa.

Na visão dos investigadores, Funaro é o gestor financeiro do amigo político. Ao perceber o cerco se fechando, o doleiro, conhecido pelo temperamento impulsivo, teria começado a pressionar possíveis testemunhas da cobrança de propinas a empreiteiras. Uma delas está no horizonte dos investigadores. Eles tentam convencê-la a contar o que sabe. Por lei, o constrangimento de testemunha é considerado obstrução à marcha processual. Situação parecida levou à prisão o ex-senador do PT-MS Delcídio Amaral ano passado.

OPERAÇÕES SUSPEITAS
Funaro se aproximou de Cunha no governo de Rosinha Garotinho no Rio. De 2003 a 2006, uma corretora do doleiro teria provocado um rombo de R$ 39 milhões com operações suspeitas na Prece, o instituto de previdência dos funcionários da Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio (Cedae). Na época, Cunha era aliado de Garotinho e tinha forte influência política na empresa.

Mais tarde, Funaro foi acusado de fazer pagamentos ilegais ao PL, hoje Partido da República (PR), no escândalo do mensalão. Livrou-se do indiciamento por concordar com a delação premiada. De acordo com a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo, Funaro disse que ele e dois doleiros emprestaram R$ 3 milhões ao então presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para cobrir despesas da campanha do partido em apoio à candidatura do então presidente Lula. Sobre Cunha, porém, nenhuma palavra.

Funaro continuou como uma sombra de Cunha quando o político começou a ditar as cartas em Furnas. Em dezembro de 2007, a estatal, depois de abrir mão de adquirir um lote de ações, mesmo tendo a preferência, o comprou oito meses depois, por R$ 73 milhões a mais, da Companhia Energética Serra da Carioca II, do grupo Gallway, empresa sediada nas Ilhas Virgens, conhecido paraíso fiscal, e que tinha Funaro como representante no Brasil.

REQUERIMENTO SOB MEDIDA
A parceria seguia oculta e inatacável até o dia 9 de janeiro de 2008, quando ocorreu um acidente fora dos planos da dupla: o rompimento da barragem de Apertadinho, uma pequena hidrelétrica que estava sendo construída em Vilhena, Rondônia. Na época, o prejuízo estimado em mais de R$ 60 milhões motivou uma briga judicial entre os dois parceiros no negócio — a Gallway, representada pela empresa Centrais Elétricas Belém (Cebel), e a Schahin. Ninguém queria assumi-lo.

Em denúncia em 2015 ao STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que Cunha “se valeu dos serviços” da então deputada peemedebista Solange Almeida para obrigar a Schahin a assumir o prejuízo em Apertadinho. Ela foi a autora do requerimento de informações que cobrou explicações da empreiteira “sobre os prejuízos causados pela interrupção do empreendimento”.
De acordo com o delator Júlio Camargo, consultor da empreiteira asiática Toyo Setal, que se associou à Samsung para fornecer navios-sonda à Petrobras, Funaro foi um dos passageiros de voos em táxi aéreo faturados como parte do pagamento de propina a Eduardo Cunha para manter o contrato com a petroleira. Num dos voos, no dia 3 de setembro de 2014, Funaro e Cunha viajaram juntos nos trechos Congonhas/Brasília/Aeroporto de Jacarepaguá/Congonhas.


As investigações também revelaram que, em fevereiro e maio de 2012, a C3 Produções, de Cunha e sua mulher, Cláudia Cruz, aumentou seu patrimônio com a compra de dois carros: um Hyundai Tucson preto, ano 2009, que custou R$ 80 mil, e um Land Rover Freelander prata, ano 2008, a R$ 100 mil. Os carros foram pagos por duas empresas de Funaro, a Cingular Fomento Mercantil Ltda e a Royster Serviços S.A. A profusão de provas da parceria dá aos investigadores a certeza de que a delação de Funaro é mortal contra Cunha.


DEPUTADO TENTA MOSTRAR QUE MANTÉM COMANDO
Eduardo Cunha chegou a afirmar semana passada que reassumiria hoje seu gabinete na Câmara, mas no fim de semana desistiu da ideia. Com a volta ao gabinete ele pretendia dar aos aliados uma demonstração de que continua no comando. Mas recuou com medo da reação dos ministros do STF.
Cunha mira os exemplos de Valdemar da Costa Neto e Roberto Jefferson, que mantiveram o controle de seus partidos, o PR e o PTB, mesmo depois de condenados à prisão por envolvimento no mensalão.


Embora tente demonstrar que a rotina é a mesma, Cunha começa a dar sinais de cansaço. Em ano eleitoral, deixou de dar atendimento político no escritório da Avenida Nilo Peçanha, no Centro do Rio. Ele passa a maior parte do tempo em Brasília, formulando estratégias de defesa com os advogados. Cunha tenta também esconder a preocupação com a mulher, Cláudia Cruz, e duas filhas, Daniella e Camilla, investigadas pela Lava-Jato.


Um aliado garante que Cunha pretendia renunciar à Presidência da Câmara após a sessão do Senado que votou a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff. O afastamento decidido pelo STF o surpreendeu. Obrigado a refazer os planos, ele conta com o apoio de políticos que considera peças-chave em seu projeto de poder sob o governo de Michel Temer.

Fazem parte do primeiro time de aliados de Cunha, segundo amigos, o secretário de Governo, Geddel Vieira Lima, o líder do Governo da Câmara, André Moura (PSC-SE), a presidente do PTB, deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), o deputado Júlio Lopes (PP-RJ), o deputado Paulinho da Força (Solidariedade), o deputado Joavir Arantes (PTB-GO), Valdemar Costa Neto (PR) e ainda setores do PSDB paulista, do PTN e a totalidade da bancada evangélica.
No atual governo, o diálogo de Cunha é mais difícil com Moreira Franco, secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), e com Leonardo Picciani, ministro dos Esportes.


Nos corredores da Justiça, é dito que Cunha erra na estratégia ao prolongar o julgamento no Conselho de Ética da Câmara. Para esses críticos, uma eventual absolvição seria a melhor, talvez a única, forma de pressionar o Supremo a voltar atrás da decisão que o afastou da Presidência da Câmara.

Ministério alega que ele já prestou todos os esclarecimentos e não foi indiciado

POR ANDRÉ DE SOUZA
O Globo


O ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, já foi alvo da Zelotes - Marcelo Camargo/Agência Brasil

BRASÍLIA — O secretário-executivo do Ministério Planejamento, Dyogo Oliveira, que assume interinamente o cargo de ministro, já foi alvo da Operação Zelotes. A investigação analisou se houve, no Legislativo e no Executivo, negociação de medidas provisórias (MPs) que beneficiaram o setor automotivo. O Ministério do Planejamento informou que ele não foi indiciado e já prestou todos os esclarecimentos.


O ministro Romero Jucá, titular da pasta, caiu depois da divulgação de uma gravação em que ele fala em um pacto para deter o avanço da Operação Lava-Jato, que investiga principalmente irregularidades na Petrobras. Sem fazer referência a esse episódio, Dyogo destacou que, no caso dele, não houve gravação.
— A situação atual desse processo é que não há nenhuma coisa adicional sobre mim que tenha sido encontrada na Operação Zelotes. Agora fica difícil, ninguém vai dar um atestado: o Dyogo é uma pessoa séria, honesta. É muito dolorido para mim ver sempre meu nome citado dessa maneira, às vezes maldosas, sem observar o que aconteceu na própria operação. Se a operação tivesse encontrada outras coisas, dinheiro na minha conta, gravação. Mas, não tem nada, sequer fui indiciado. Sei evidentemente que amanhã, com a saída do ministro Jucá, vão voltar a falar desse assunto — disse Dyogo ao GLOBO.

A Zelotes rendeu vários inquéritos e uma sentença na Justiça. Na ação penal em que já saiu condenação, Dyogo prestou depoimento somente na condição de testemunha, ou seja, não foi investigado. Mas, em ofício encaminhado à 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal em fevereiro, o delegado da Polícia Federal (PF) Marlon Cajado afirmou que tinha sido aberto um inquérito policial para apurar a eventual participação de alguns servidores em irregularidades investigadas pela Zelotes. Entre eles, estava o nome de Dyogo Oliveira.

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“Fez-se necessária a instauração de novo procedimento policial expediente (sic) tentar alcançar a verdade real sobre os fatos apurados, isto é, se outros servidores públicos foram de fato corrompidos e estariam associados à (sic) essa organização criminosa, ou se estaria 'vendendo fumaça' vitimando-os e praticando o tráfico de influência com relação aos mesmos, a saber, Erenice Alves Guerra, Dyogo Henrique se Oliveira, Nelson Machado, Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, Helder Silva Chaves, Ivan João Guimarães Ramalho, Miguel João Jorge Filho, entre outros”, dizia trecho do ofício de Cajado, encaminhado em fevereiro.


Nesta segunda-feira, Dyogo negou irregularidades. Ele disse que cuidava do setor industrial no Ministério Fazenda e, por isso, teve reuniões com representantes de empresas, inclusive automotivas. Dyogo diz não se recordar, mas, que, numa dessas reuniões, o lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS, que viria a ser condenado na Zelotes, deve ter participado.

— Se pegar o relatório (da PF), na página 54, é onde está citado isso: "depreende-se que o senhor Alexandre Paes esteve em contato com Dyogo Oliveira". Algumas matérias (jornalísticas) colocaram que eu seria um possível contato de Alexandre Paes. De ter mantido contato para ser contato tem diferença — disse Dyogo.


Em 25 de janeiro, quando era secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira prestou depoimento como testemunha na ação penal da Operação Zelotes aberta na Justiça. Ele disse que não foi o normal o fato de as empresas terem tido acesso à MP 471 — umas das que podem ter sido negociadas — antes de sua publicação em 20 de novembro de 2009. Mas segundo ele, como havia competição dentro do setor automotivo, isso não trouxe vantagens a elas.


— O fato de ter havido esse acesso não é normal, nesse estágio, entre a saída dos ministérios e a publicação. Realmente não é uma situação normal — avaliou Dyogo Oliveira em 25 de janeiro, que também disse: — Acho que isso não trouxe vantagens para os envolvidos, não mudava o estágio de competição entre elas. Agora, eu não saberia dizer como houve acesso a ela.


O novo ministro interino do Planejamento contou que nunca recebeu proposta de propina para favorecer quem quer que seja e que as MPs do setor automotivo tiveram tramitação normal. Segundo ele, as empresas costumam procurar a pasta para defender seus interesses. Questionado se o lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS, um dos condenados na Zelotes, já esteve no Ministério da Fazenda (onde ele trabalhava na época da edição das medidas) discutindo MPs, Oliveira respondeu em 25 de janeiro:


— Não me recordo, mas, como disse, é comum termos reuniões com interessados, representantes. No caso dessas medidas provisórias, isso foi feito. Nós tivemos várias reuniões com representantes da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), representantes das empresas. Não poderia precisar se ele esteve em alguma dessas reuniões.


Nas alegações finais apresentadas no fim de março, o Ministério Público Federal (MPF) criticou a conduta de Dyogo Oliveira, mesmo ele não sendo investigado nessa ação penal. "O que chamou a atenção no depoimento de Dyogo Henrique é o fato dele não saber quantas vezes se encontrou com Mauro Marcondes (lobista que também viria a ser condenado) nem explicar porque não existe registro ou ata destas reuniões. A ausência de registro das reuniões com o lobista Marcondes viola o Código de Ética da Alta Administração Federal, a qual Dyogo estava vinculado na época dos fatos", disse o MPF.


Dyogo disse que, em sua carreira no serviço público, nunca teve ligação com nenhum político ou partido. Ele afirmou ter galgado postos em razão de sua capacidade técnica.

— O governo que estava aí era do PT, e não tenho nenhum problema com isso. Isso é o ideal que aconteça com o Estado brasileiro, que pessoas com perfil técnico ocupem cargos e fiquem no governo. Mudem os governos, mas as pessoas com capacidade continuem — disse Dyogo.


Em nota, o Ministério do Planejamento ressaltou que Dyogo é servidor concursado desde 1998 e que não foi indiciado pela Operação Zelotes e, como testemunha, prestou todos os esclarecimentos


"O secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Dyogo Oliveira, é servidor concursado desde 1998 e qualificado para o cargo que ocupa e que teve seu desenvolvimento profissional calcado exclusivamente na sua competência e capacidade técnica. O secretário não foi indiciado pela Operação Zelotes e, como testemunha, prestou todos os esclarecimentos, às autoridades policiais, em 29 de outubro de 2015 e, à Justiça Federal, em 25 de janeiro de 2016, sem que houvesse qualquer ato de indiciamento. Após estas datas, não foi solicitado ao secretário mais esclarecimentos pelas autoridades competentes", informou em nota.

Lava Tudo

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