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Antônio Melo: Em nome do pai...

Por Antônio Melo Jornalista Um pai preso. A esposa e uma filha em luta para conseguir sua liberdade. O que há de errado nisso? ...

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Edgar Moreno: Feliz Lucral e próspero ano velho


Por Edgar Moreno
COSTA FILHO, João Batista da que também representa o heterônimo Edgar Moreno.

“Acabou-se 25 de dezembro./ Acabou-se o natal?/ Acabou-se o Amor?/ E a amizade, também perdeu a validade?/ Cadê papai.../ Que Noel?/ Ah, tá, deixa pra lá...”


Essa é a íntegra do Poeminha pós-natal do poeta bacabalense Costa Filho escrito em 26/12/2007.


Já se vão quatro anos, mas ainda que tivesse 40 ou 400 anos, o texto a cada dia parece mais atual. Agora, quase anônimo ressurge a cogitar se vale a pena lê-lo de novo. Cá comigo, penso que tudo na vida vale a pena, sobretudo, se a alma não é pequena.


Talvez essa crônica me venha um tanto amarga num momento tão expressivo como o natal, quando o mundo cristão se volta (a comemorar o nascimento de Jesus Cristo?). Verdade seja dita, o verdadeiro sentido do natal, já anda bem morno para os lados da alma humana, que a cada dia se volta para o mero consumismo. (Nesse ponto da crônica quero “culpar” também a poetisa Aline Piauilino, que me sugeriu o tema). Assim é que a figura de Jesus a cada dezembro se vê sufocada pela de Papai Noel; a amizade real, afastada pela virtual; as liturgias natalinas esquecidas pelo consumismo exacerbado; o abraço deu lugar ao SMS, ao Orkut, ao Facebook... Lá tens um milhão de amigos, mas quantas vezes não encontras um sequer para contigo chorar tuas dores ou tomar um sorvete! Vivemos num tempo em que ninguém é de ninguém, em que a falsidade virtual anda de mãos dadas com o progresso. E todo mundo termina achando isso normal. Como lembra a própria Aline: Foram-se “os tempos nostálgicos em que as ruas de Bacabal eram só areia”. Hoje “as obras trazem a poeira revolta de um tempo antigo, de inocentes infâncias e de palavra dada melhor que papel passado”. Vês, tu, meu leitor, que não estou sozinho nessa filosofia da não banalização natalina.


Um exemplo disso é a exposição de presépios no CONASA. Foste lá, apreciar aquele majestoso conjunto de obras de arte?! Foste à igreja? Ceaste com tua família? Lembraste dos pobres? Mas certamente não deixaste de ir ao Paraíba ou ao calçadão comprar presentes de “amigo invisível”. É possível mesmo que tenhas contraído dívidas por todo o 2012 para entrares na “onda do momento” ou das imperdíveis promoções!


Evidentemente que os presentes, as mensagens via celular, os cartões, o “feliz natal” com tapinhas nas costas, e a mesa de amigos funcionam como doses otimizadoras para a vida. Mas, incrível é ver como logo esses “amigos” desaparecem e, o natal, assim como a amizade, vai-se com os papéis de embrulho. Lembro-me que em criança ensaiávamos dias a fio para uma breve encenação na igreja; que as empresas presenteavam seus funcionários e editavam calendários sofisticados. (Ih, não tenho ainda nenhum!). Já hoje parece que a amizade está mesmo cada vez mais invisível.

Não estou, porém, contra as festas natalinas, contra o aniversariante (meu ídolo maior), tampouco contra a amizade. Quero apenas refletir com meu leitor o alarde mercantilista que os homens têm sobreposto ao natal, ao dia das mães, ao dia das crianças e outras datas que “esquentam” o comércio. Como observador da vida, cabe-me em tempo cumprir com meu desígnio de cronista. Ah! O ano novo está às portas, mas não te avexes, logo vai estar velho também. Mas, como diz meu editor, Antônio Jakson da Silva: “Não obstante, viva a vida, viva!”