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Edgar Moreno: Tietes e politicagem

Por Edgar Moreno
COSTA FILHO, João Batista da que também representa o heterônimo Edgar Moreno.

Olá, meu leitor, tens ido à rua? Se sim, então já bem percebeste: é tempo de eleição. Se não tens ido não te entristeças nem te avexes por isso. Talvez não estejas perdendo muita coisa. Não que eu seja contra a política, embora seja contra a politicagem. Por isso te digo: descansa bem no teu canto, leitor, que logo, logo estará passando em tua rua, batendo em tua porta um desses grupos de arrastões, típicos dessa época. São as politiqueiras vieiretes, juretes, albertetes ao quadrado, e tantas outras “etes” que não cabem no programa. Isso me lembra o “Velho Guerreiro” Chacrinha com seu Cassino musical das velhas tardes de sábado, mas também me recorda o nosso ilustre locutor Osmar Noleto e seu popularíssimo “Roda Viva”, o qual, em tempo de eleição, referia-se aos políticos forasteiros como “periquitos em tempo de manga”. Isso me traz à crônica outras “etes”: as louretes, as biretes... Ah, há também as ricardetes e alguns Ricardos, mas não sei se há ricardões. O certo é que nessas primeiras semanas de campanha as pesquisas já apontam Dilma Rousseff, como futura sucessora de Lula e Roseana Sarney como sucessora dela mesma. Quanto ao Senado e às Câmaras Federal e Estadual a coisa é mais concorrida, muitos votos ainda vão rolar por baixo dos panos.


No cenário bacabalense as campanhas começam a ganhar corpo no corpo dessas mulheres e desses rapazes pobres, semianalfabetos, desprovidos de emprego e, certamente, de consciência crítica.
Mas quem são essas tietes? São as vítimas desse mesmo sistema que lhes dá um emprego temporaríssimo estimado em 50 ou 70 reais por semana. São, em sua maioria, mães solteiras e novas que, sem emprego, obrigam-se a andar rua acima, rua abaixo, a balançar a bandeira, o cartaz e a sainha de pregas para ganhar um trocado que ajude no sustento da família. Ainda assim passam pela seleção de um aliado que as aponta, como diria minha sobrinha, ao “micoso cargo”. Elas andam, balançam, queimam-se no sol a pino e até gritam. Mas será que votam no candidato a quem fazem campanha? Talvez sim, talvez não; só sei que a cotidiana função atravessa o tempo das palestras noturnas no centro e periferias afora.


Entretanto, não há só as tietes, há os que são apenas panfleteiros a 36 reais por semana. Com a proibição dos milionários “showmícios” apostou-se na figura do colador de cartazes e do locutor volante. Por isso é comum se ver pela city agudos sons em bicicletas adaptadas ou em carros velhos, caso o candidato seja pobre. Para os mais abastados a onda é montar potentes estruturas sonoras e denominá-las com nomes bobos e atrativos ao povão. Pronto, está feito o jeitinho brasileiro de driblar a justiça.


Tudo isto me soa como uma utopia que aos candidatos deveria ser um ponto-prioridade no seu plano de gestão: importar-se com a educação e trabalho para essas mulheres e jovens, pois povo educado é povo consciente ― e produtivo. Mas como povo consciente incomoda, isso nem sempre interessa ao sistema.


Tietes à parte, o que mais me inquieta no cenário político é o fato de a maioria dos brasileiros ainda votar por votar, por um interesse qualquer, fazendo do voto um mero artigo de negócio. Isso banaliza a democracia e empobrece uma nação.


Resta-me dizer-te, leitor: o voto é um direito que deve ser exercido cônscio e democraticamente. A decisão é tua. Ou alguém há de decidir por ti?